Mil e Duas Noites

habibi

Oi, gente!
Não estranhem a nova autora: eu sou a Helô e vou escrever de tempos em tempos para vocês sobre um assunto que vem conquistando cada vez mais fãs (e que, cá entre nós, é demais): quadrinhos/ HQs/ graphic novels/ mangás. Prometo fazer um post sobre a história da HQ, que é muito legal. Mas, para começar, vou falar de um dos meus favoritos, escrito e desenhado pelo queridíssimo Craig Thompson. Espero que gostem do novo “quadro”! Bom, sem mais delongas…

Habibi é uma palavra árabe que significa “amado”, “querido”. É também um belo título para uma incomum história de amor. Ela, uma menina perspicaz e forte, é vendida em casamento antes de completar dez anos de idade, sequestrada e escravizada. Ele, um bebê rejeitado pela mãe, mas firme em sua vontade de viver, encontra na esperta menina uma salvadora e companheira. Assim começa a história dos pequenos órfãos Dodola e Cam, que juntos conseguem fugir e esconder-se em um barco abandonado no meio do deserto. Os dois enfrentarão, com a ajuda de histórias do Corão e das Mil e Uma Noites, a fome e a sede, caravanas de beduínos, a descoberta da sexualidade, a confusão do amor, um sultão entediado e seu harém, eunucos, a violência, a separação e as saudades.
Narrada em um país não especificado e fantástico do Oriente Médio, a graphic novel Habibi, do aclamado quadrinista Craig Thompson (Retalhos), é uma dilacerante e original história de amor que encanta pelo lirismo e pela delicadeza. Chama atenção o zelo de Thompson ao basear-se no Corão, o livro sagrado da religião muçulmana, cujas histórias enriquecem a trama de Dodola e Cam, permeando suas desventuras e dando um tom mítico à saga – é frequente a mistura entre a realidade das personagens e a do Corão, feita pela própria heroína, ao comparar sua situação à de personagens dos escritos muçulmanos. O universo fantasioso da trama pode parecer idealizado demais para alguns céticos leitores, mas, uma vez iniciada a leitura, é praticamente impossível parar. As 670 envolventes e cativantes páginas da história contada ora por Dodola, ora por Cam podem ser lidas de um trago só – isso se os trabalhados e belos desenhos em nanquim, decorados aqui e ali pela caligrafia árabe, não tomarem demais a atenção do leitor.
Com delicadeza na pena e nas palavras, Thompson (que, aliás, vem de uma família extremamente cristã) consegue mostrar a beleza de uma religião cercada de preconceitos ocidentais, e, de quebra, cutucar questões sociais, sexuais, culturais e ecológicas de uma forma que pode ser difícil de encarar, de tão tocante. Vale lembrar que Habibi é o primeiro e esperado trabalho do quadrinista, oito anos depois do autobiográfico Retalhos (vencedor do Prêmio Eisner de 2005), e que a graphic novel rendeu a Thompson um Prêmio Eisner na categoria Melhor Escritor/Artista em 2012. Lírico e cruel, belo e emocionante, Habibi é leitura obrigatória aos fãs de quadrinhos, de aventuras, das Mil e Uma Noites e, claro, aos românticos incorrigíveis.

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