Pitacos Musicais: O recomeço do rock verde-e-amarelo

Bom dia/boa tarde/boa noite ao querido leitor ou leitora do blog!

Meu nome é Nico Garófalo e vim aqui colocar uma pitada de cromossomo Y na Sétima Avenida!

Se a Cami permitir e assinar minha carteira de trabalho, pretendo dar aqui certas opiniões sobre a cena musical atual, sem o menor pudor para criticar ou elogiar!

Estréio aqui com uma resenha sobre o trio paulista O Terno, formado por Tim Bernardes (guitarra e vocais), Guilherme D’Almeida (baixo) e Victor Chaves (bateria), e seu primeiro álbum, 66, lançado de forma independente.

Na ultima quinta-feira (16 de maio) fui a um chamado “pocket-show” da banda no Shopping Ibirapuera, ver os caras tocarem ao vivo e comprar o disco, também disponível para download gratuito na página da banda.

Guilherme D'Almeida, Victor Chaves e Tim Bernardes

Guilherme D’Almeida, Victor Chaves e Tim Bernardes

Comecemos pelo trabalho de estúdio. Nas ultimas duas décadas, o rock brasileiro veio sem grande força, dando lugar a um pop meloso e colocando poucos nomes que realmente valessem a pena nas rádios (lê-se Charlie Brown Jr. e Detonautas). Por isso minha surpresa quando um amigo me mostrou o trabalho d’O Terno. Baixei o disco quando cheguei em casa e ouvi animado. A energia, a complexidade, a acidez e o vigor dos paulistanos deram aos meus ouvidos algo que não ouvi de nenhuma banda que não fosse apresentada por parentes mais velhos.

O disco se divide em duas partes de 5 faixas cada. A primeira, com composições originais da banda, assinadas pelo brilhante Tim Bernardes. “66”, “Eu Não Preciso De Ninguém” e “Zé, o Assassino Compulsivo” apresentam uma mistura fantástica de energia e genialidade musical. “Enterrei Vivo” e “Morto” mostram outo tipo de energia, mas mantém o nível de qualidade: a calmaria das músicas encaixa perfeitamente no frenesi das demais canções dessa metade do trabalho.

A segunda parte conta com a presença ilustre de Mauricio Pereira, vocalista do Mulheres Negras e pai do cantor Tim Bernardes. As cinco canções dessa segunda parte são de composição do veterano. Destaques para as canções “Quem é Quem” e “Tudo Por Ti”, que ganham o famoso “plus a mais” tocadas pela banda. Por melhores que sejam as versões, as composições originais são mais divertidas de ouvir e, apesar de não chegar nem perto de decepcionar, diminui um pouco o clima das primeiras 5 canções.

No palco, mesmo um mini palco para cerca de 20 pessoas, a energia da banda não muda. Todos ótimos instrumentistas e de um entrosamento incomum para uma banda tão jovem, O Terno conseguiu transformar 45 minutos de show em uma experiência muito gostosa de se ver. Apresentando musicas novas no repertório, como a hipnotizante “Quando Estamos Todos Dormindo”, e algumas versões acústicas das faixas de estreia, o trio se mostrou em casa atrás dos instrumentos e simpáticos com a plateia, assinando discos e batendo papo com os presentes após a apresentação.

No CD se lê "Ouvir em volume alto".

No CD se lê “Ouvir em volume alto”.

Espero de verdade que a minha edição autografada de 66 se torne cara no futuro. Não porque pretendo vender nem nada disso. Espero que O Terno surja com a força e o destaque que eles realmente merecem na mídia, fazendo minha cópia rara do primeiro álbum da banda se tornar um item cobiçado pela geração dos meus filhos.

O Terno mostra que, após uma década e meia de apagão musical, o rock brasileiro conseguiu novo fôlego para seguir em frente e começar uma nova fase, uma que desejamos lembrar com gosto, como nossos pais se lembram da deles.

Valeu, gente! Beijão e até mais!

O Terno: www.oterno.com.br

Disco: 66, R$24,90 (Livraria Saraiva)

Nota: 9 (e muita esperança)

Clipe de “66”, já premiado com o Prêmio Multishow de Música Brasileira.  http://www.youtube.com/watch?v=YF261dUvya0

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