Não deixe para Amanhã…

Só a nata: aposentados e poderosos

O que aconteceria se os super heróis que conhecemos se aposentassem e os novos heróis não dessem a mínima para a humanidade? Pois imagine só: daqui a 20 anos, o Super Homem*, cinquentão e amargurado, resolve dedicar sua vida ao campo; Batman, já sem forças, controla Gotham com robôs e câmeras de segurança; o Lanterna Verde está obcecado em proteger apenas uma cidade espacial que ele próprio criou; Flash, depois de um acidente molecular, não consegue parar de se mexer. Os novos heróis, descendentes dos antigos, destroem a Terra, lutando entre si para provar quem é o mais poderoso. É este o universo melancólico de O Reino do Amanhã, a magnífica minissérie em quadrinhos da DC, escrita por Mark Waid e ilustrada pelo meu ídolo Alex Ross (sério: o cara pega pessoas reais como modelos e usa tinta óleo, nanquim e muito talento para transformá-las em super heróis. É incrível).

A história toda gira em torno do velho pastor Norman McCay, que é tornado invisível pelo Espectro (um herói-espírito meio antigão da DC) para ver com os próprios olhos a destruição que os novos heróis estão causando. É o pastor quem narra O Reino do Amanhã, com algumas passagens bem encaixadas da Bíblia e um olhar humano sobre os atos dos “heróis”.

O mais legal da trama é o fato de os antigos heróis estarem cansados da humanidade – a razão disso é deliciosa e lentamente explicada; vou deixar este mistério para vocês desvendarem. Mas, enfim, é a Diana (a Mulher Maravilha), claro, quem acaba convencendo Clark a voltar à ativa. Seguem-no grande parte dos nossos conhecidos heróis, aposentados mas poderosos, e a guerra emocionante começa – a melhor batalha, sem dúvida, é a do Super Homem contra o Capitão Marvel, que havia sofrido uma lavagem cerebral causada por Lex Luthor. E, como se não bastasse, enquanto tudo isso rola, o governo ainda tenta conter os sobre-humanos com bombas nucleares!

O Reino do Amanhã, lançado em 1996 em quatro volumes, além de ser quase uma pinacoteca em quadrinhos, é um tapa na cara dos novos heróis violentos que então dominavam a DC e sobrepunham-se aos antigos. A moral da série parece ser: não esqueça o velho, mesmo que o novo pareça mil vezes mais incrível – é o que diz o prefácio de Elliot S! Maggin, principal autor dos quadrinhos do Super Homem e guardião do caráter bondoso e da motivação dos super heróis clássicos.

Se fosse só pelas ilustrações, já valeria a pena. Agora, contando com a história, O Reino do Amanhã não é pena nenhuma. E é curtinho – a edição especial que junta os quatro volumes não chega a 250 páginas, mesmo contando com o apêndice que explica o futuro de cada super herói. Além disso, a HQ pode ser achada baratinha em sebos. Você não tem desculpas! Não deixe para amanhã.
*eu usei Super Homem em vez de Superman porque é assim que aparece em O Reino do Amanhã, ok?

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