Muito, muito Maus

Você já conhece a velha e triste história: a Segunda Guerra Mundial, os alemães contra os judeus, os campos de concentração, a sofrida luta pela sobrevivência. De livros e filmes a poemas e quadros, o holocausto judeu já foi representado das mais diversas formas.

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Mas nunca antes em quadrinhos.

Em Maus, de Art Spiegelman, os judeus são desenhados como ratos – tal qual eram chamados pelos alemães, os gatos. Os poloneses são porcos; os franceses, sapos; os ingleses, peixes; os russos, ursos; os suíços, renas e os americanos, cachorros. Até os ciganos, grupo tão perseguido quanto os judeus, ganham uma representação: são indesejáveis traças. A HQ acaba sendo uma fábula que ironiza as propagandas alemãs da época – “Maus”, inclusive, é “rato” em alemão. Spiegelman narra a trajetória de seu pai, o velho Vladek, desde o início da Guerra que lhe roubou toda a riqueza, passando por Auschwitz (“Mauschwitz”, na HQ), até uma velhice repleta de más recordações. Há também uma profunda análise emocional do relacionamento entre pai e filho – o velho conflito de gerações. É uma história de superação das dificuldades mais incríveis: a fome, os maus tratos, o trabalho forçado, o preconceito, o frio, as saudades, a incerteza e, principalmente, o medo.

É impossível não se emocionar com a trajetória de Vladek, ou não admirar a esperteza que o ajudava nos piores apertos – um trem super lotado, tifo, contrabando. Spiegelman não só toca na ferida do holocausto: ele joga sal, limão e álcool, cutucando o que poucos autores exploraram – os efeitos de um ódio irracional. Só para se ter uma ideia, já na abertura do livro, há uma frase de Hitler: “Os judeus são indubitavelmente uma raça, mas eles não são humanos”.

A HQ é uma mistura de biografia, arte, ficção e pesquisa histórica. Publicado pela primeira vez em 1986, Maus ganhou um Pulitzer especial em 1992, porque o comitê não conseguia decidir se o relato era uma biografia ou uma obra de ficção. O próprio Spiegelman não gostou do termo “graphic novel”. Plural como uma colcha de retalhos, o livro agrada estudiosos e ociosos e emociona até o mais duro dos leitores.

Quer comprar? Fica a dica:
Existe a versão completa, de mais ou menos 200 páginas e que custa em torno de R$40. Há também a versão Metamaus, que eu carinhosamente chamo de Hiper-mega-super-Metamaus, porque é um calhamaço de 500 páginas, capa dura (e linda!), com rascunhos, anotações, fotografias, entrevistas, uma árvore genealógica e ainda um DVD cheio de outras memórias em áudio e vídeo. Esse é mais caro, mas eu comprei porque né *-*

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