Pitacos Musicais: Resenha de ¡Uno!, ¡Dos! e ¡Tré!, do Green Day

Green Day é daquelas bandas conhecidas por fazer discos ótimos e shows monumentais. Algumas de suas apresentações ao vivo já chegaram a quase 3 horas de duração, algo entre 35 canções de todas as fases da banda. O que poderia ser mais Green Day que lançar, em forma de trilogia, 37 músicas inéditas que representem todos os lados da banda?

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Pesados, rápidos e ao vivo

¡Uno!¡Dos!¡Tré! (piada com o nome do baterista Tré Cool) conseguiram englobar, em um lançamento dividido em 5 meses, a versatilidade do punk e do power trio californiano.

Mas é necessário atenção: antes de ouvir os discos é estritamente proibida qualquer comparação com as duas Opera-Rocks laçadas pela banda (American Idiot, em 2004, e 21st Century Breakdown, de 2009), obras primas em questões musicais e políticas. ¡Uno!¡Dos! ¡Tré! são o famoso “back to basics” da banda, onde eles decidiram lançar diversas músicas compostas que não se encaixariam em outros álbuns.

Obs.: Avaliarei cada disco separado para tirar a nota da média de todos.

Imagem¡Uno!: a primeira parte da trilogia talvez seja a mais parecida com Green Day de American Idiot, mas sem a preocupação política. O tema aqui é crise de meia-idade, já que os três integrantes da banda estão alcançando seus 40 anos de vida. “Nuclear Family” abre o disco com uma bela paulada rítmica, que se segue em “Stay The Night”, que questiona a importância de alguma ex-namorada. As terceira e quarta faixas são “Carpe Diem” (“aproveite o dia”, em latim) e “Let Yourself Go”, respectivamente, que fazem um clamor por olhar com outros olhos para as coisas e se deixar fazer o que você quiser fazer. Então vemos um pop irônico para “Kill The DJ”, expressando todo o ódio da banda por discotecas. Como todo o álbum, existem as canções desnecessárias. Em ¡Uno! temos “Fell For You” e “Loss Of Control”, faixas bem parecidas e até gostosas, mas que não acrescentam nada às 10 outras faixas. “Trouble Maker”, por outro lado, é a minha faixa favorita do disco, definida pela mudança de ritmo e força entre verso e refrão, criando um belo jogo musical. Enquanto “Angel Blue” fala de garotas mais novas, “Sweet 16” é uma carta de amor à mulher de Billie Joe Armstrong, com quem ele se casou aos 18 anos. O encerramento com “Rusty James” e “Oh Love” deixam um gosto de “quero mais” em um disco muito bom. Para aqueles que gostam de uma comparação interna da banda, ¡Uno! tem suas semelhanças com Dookie (1994). Nota: 8,5/10

Imagem¡Dos!: Não se deixe enganar pela introdução doce de um minuto e meio que é “See You Tonight”. O som pesado da banda acontece por três faixas seguidas a partir de “Fuck Time” (da banda paralela do trio, Foxboro Hot Tubs), são 8 minutos até o “descanso” de “Wild One”, aquela conhecida pausa para respirar em um show comprido. “Makeout Party” e “Stay Heart” poderiam muito bem ser escritas pelo Billie Joe adolescente, pelas relações com festas e saídas noturnas. Em “Ashley”, o tempo para recuperar o fôlego termina de verdade e a continuidade com “Baby Eyes” e “Lady Cobra” e para chacoalhar a cabeça o tempo todo. Infelizmente, “Nightlife” atrapalha a continuidade de 10 músicas muito boas e muito Green Day para colocar uma canção que não se encaixa em nenhum dos discos da trilogia. “Wow! That’s Loud” volta ao pé no peito com a melhor música do disco junto de “Fuck Time”, para ser seguido pela extremamente doce “Amy”, homenagem à cantora Amy Whinehouse. Insomniac (1995) é provavelmente o disco que mais se aproxima de ¡Dos!Nota: 9,5/10

Imagem¡Tré!a trilogia se encerra em um disco mais calmo, que quase nem se assemelha tanto a ¡Uno! ¡Dos!, mas ainda é bom! Óbvio, é calmo no estilo Green Day, não chega a ser um disco de “Boulevard Of Broken Dreams” ou “Wake Me Up When September Ends”. As três primeiras faixas conseguem ser muito bonitas e calmas, ao mesmo tempo que têm um som pesado e um ritmo típico do pop/punk do trio. “Drama Queen”, no entanto, é realmente mais tranquila que “Brutal Love” ou “Missing You”. “X-Kid” foi o single escolhido para o disco, mas “Sex, Drugs & Violence” é a melhor música de ¡Tré!, a escolha é compreensível pelo fato da primeira resumir melhor o trabalho do álbum. As faixas “LIttle Boy Named Train” e “Amanda” são ótimas músicas para se ouvir no carro. Tão bem quanto “X-Kid”, “Walk Away” é um resumo de ¡Tré!, é muito bem composta e escrita e rapidamente se tornou minha favorita dessa terceira parte da trilogia. Para não te fazer bocejar, “Rotten Dirty Bastards” e “99 Revolutions” te colocam num liquidificador para encerrar a tríade do disco com a calma “The Forgotten”. Disco muito comparável a Warning (2000). Nota: 8,5/10

Valeu, gente! Beijão e até mais!

Banda: Green Day

Nome: ¡Uno!, ¡Dos! e ¡Tré! (2012)

Melhores músicas: “Touble Maker” (¡Uno!), “Fuck Time” (¡Dos!) e “Sex, Drugs & Violence” (¡Tré!)

Nota: 8,8/10

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