Metalinguagem: como desenhar quadrinhos… em quadrinhos!

Ei, você já pensou em se tornar um mestre dos quadrinhos? Um novo Will Eisner, Alan Moore ou Frank Miller? Em “Desenhando quadrinhos”, o quadrinista Scott McCloud te ensina a chegar lá. A HQ é muito didática, mas de uma forma leve e divertida, com exemplos engraçados e várias partes de quadrinhos famosos. O jeito que McCloud explica é fascinante; parece que ele entra na cabeça da gente. O livro é dividido em 7 partes essenciais para qualquer aspirante a cartunista, e no fim de cada parte há um resuminho do capítulo e alguns exercícios.

a capa da HQ

A capa da HQ

  1. Escrevendo com imagens

Como fazer para atrair e cultivar a atenção do leitor?
Para McCloud, a clareza é essencial. O autor divide o conceito em cinco questões fáceis de lembrar: a escolha do momento, a escolha do enquadramento, a escolha das imagens, a escolha das palavras e a escolha do fluxo da história. Outra questão importante é a intensidade. McCloud explica que há vários jeitos de consegui-la: contraste de profundidade, linhas diagonais, poses extremas, variação de molduras, quebra da parede do quadrinho e desenhos realistas. Mas adverte: é bom usar essas ferramentas com moderação, para que a história não fique sempre no volume máximo!

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Uma página sobre enquadramento

  1. Histórias para humanos

Você sabia que as pessoas tendem a ver formas humanas em tudo? Sério! Pense na “carinha” dos carros e nas tomadas da sua casa, por exemplo. McCloud parte daí para explicar como construir as personagens, e desenvolve o assunto em três partes: o design da personagem, as expressões faciais e a postura corporal. Na primeira, ele ensina não como criar, mas como gerar sua personagem – McCloud defende que cada uma deve ser como um filho; ter uma história completa de vida, gostos, objetivos, opiniões etc. Ele também explica a “teoria dos grupos temáticos”: como um grupo de personagens pode representar as quatro estações, os quatro elementos, os sentimentos… Na segunda parte, ele mostra que todas as expressões faciais, muscularmente falando, derivam de seis principais, que são como as cores primárias: ao mistura-las, obtêm-se infinitas outras. Na terceira parte, McCloud demonstra como a postura corporal pode influenciar no modo como o leitor vê a personagem (e acaba dando dicas de gestos corporais para a vida).

as expressões primárias de McCloud

As expressões primárias de McCloud

  1. O poder das palavras

O que é uma HQ senão a união de imagens e palavras? Nesse capítulo, McCloud explica que existem 7 formas harmoniosas de combinar imagens e palavras, e que cada uma delas serve para retratar várias situações diferentes. Palavras e imagens, se mal colocadas, podem “brigar” entre si, fazendo o leitor se cansar. A fonte e as onomatopeias também são abordadas aqui.

O poder de uma fonte grande

  1. Construção de mundos

Aqui, McCloud dá um show de sabedoria, explicando como implantar sensações na mente dos leitores e fazê-los ter certeza de que entraram na história. Uma dica de ouro, por exemplo, é “sangrar” um desenho de cenário – tirar as bordas do quadrinho. Isso faz com que o leitor pense que está com a cabeça enfiada em uma janela: a janela para o mundo da sua HQ. Incrível, né? McCloud também dá conselhos de perspectiva, detalhamento e pesquisa de cenários.

"Sangrando" o quadrinho, o leitor sente-se dentro do cenário

“Sangrando” o quadrinho, o leitor sente-se dentro do cenário

  1. Ferramentas, técnicas e tecnologia

Um capítulo dedicado ao material. McCloud explica os usos de pincéis, penas, tintas, lápis, papéis especiais, réguas, luzes, tablets, computadores e programas de desenho. Ou seja: rola uma dissecação da mesa de trabalho de um quadrinista. O autor também mostra o passo-a-passo das próprias HQs e pesa preços de diferentes materiais de desenho.

o material de McCloud

o material de McCloud

  1. Seu lugar nos quadrinhos

McCloud fala sobre estilos de HQ, mas frisando sempre que “estilo não é algo que você possa escolher na prateleira”. Neste capítulo, ele disseca um pouco a técnica e a filosofia dos mangás, explica os diferentes gêneros e desvenda a “cultura dos quadrinhos”.

  1. Desenhando quadrinhos

Quer mesmo ser quadrinista? Pois aqui está uma avaliação detalhada e divertida do mercado atual de quadrinhos e uma mensagem encorajadora:  “Não importa quantas toneladas de tinta tenham sido despejadas nelas ao longo dos anos: as histórias em quadrinhos por si sempre foram uma página em branco para cada nova mão que se aproxima”.
scott
E aí, criou coragem?

Olha o McCloud aí! Nas versões "quadrinhos" e "real"

Olha o McCloud aí! Nas versões “quadrinhos” e “real”

Pra terminar, aqui vai um quadrinho-exemplo engraçado de McCloud (esse é de outro livro):

HU3

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