Pitácos Musicais: “Pai, o quem é o creuzebequi?”

Feliz dia das crianças para os senhores e para as senhoras e pra Camila com seu 1,2m!

Venho aqui para trazer a minha infância em música: Mamonas Assassinas (perturbador saber que aos 5 anos nós cantávamos sobre surubas e zoofilia).

O quinteto teve uma carreira meteórica de apenas 7 meses. Com músicas engraçadíssimas, o Mamonas atingiu mais de 3 milhões de discos com o auto-intitulado disco de estúdio.

Mas as músicas engraçadinhas não eram o único mérito da banda: todos eram excelentes em suas respectivas posições sobre o palco, especialmente o vocalista Dinho, que se tornou cantor por improviso na banda e escrevia todo tipo de música hilária.

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E eles REALMENTE pareciam uma banda boa para crianças…

O disco abre com “1406”, uma música sobre um pau-mandado quebrado que cede a todos os desejos de seus familiares. O refrão é um dos pontos altos do disco: “se der uma chuva de Xuxa, no meu colo cai Pelé”.

“Vira-Vira” foi o primeiro sucesso dos Mamonas e por muitos anos eu atazanei meus pais com a desconfortável pergunta “o que é uma suruba?”. É, eu sei. Não é uma música que se mostre para seus filhos se não quer ouvir tais perguntas.

O ápice é a terceira faixa (que nunca esteve entre as minhas favoritas, na verdade), “Pelados Em Santos” e sua famosa Brasília amarela! O mais importante é ressaltar que as vozes e as linhas instrumentais do disco são muito bons e os cinco poderiam ter se dado muito bem em uma carreira “séria”.

“Chopis Centis” e “Jumento Celestino” são muito boas em todos os aspectos, principalmente em suas referências ao mundo exterior. “Sabão Crá-Crá” (que eu cantava “não deixa os cabelos do saPo enrolar”) se tornou um hino eterno da geração dos anos 1990, mesmo sem nenhum instrumento tirando um violão rítmico.

A ‘romântica’ canção “Uma Arlinda Mulher” também é sensacional para dar 3 minutos seguidos de risada. Já o refrão de “Cabeça de Bagre II” resumiu minha vida escolar, algo que eu não me orgulho tanto de assumir publicamente.

E então, aquele lindo aviso ao nosso querido creuzebequi: vai começar a baixaria! “Mundo Animal”, que não economiza nas brincadeiras de duplo sentido, nos palavrões e na escatologia. Ah, a infância!

Depois desta, as expectativas ficam altas demais para se ouvir “Robocop Gay” (que também não peca em nenhum de seus aspectos) e “Bois Don’t Cry”, uma ironia ao fato da música sertaneja só falar de homens traídos (adoraria ver o que Dinho faria com o sertanejo universitário).

O metal nonsense de “Débil Metal” COM CERTEZA foi o pontapé de partida para a banda Massacration, mas é uma das faixas menos fortes do disco, ao lado da canção de encerramento “Lá Vem o Alemão”. 

E não tem como não falar de “Sábado de Sol”, eternizado por todos os brasileiros que pegaram num violão desde 1996.

Os Mamonas fazem falta, MUITA falta em uma geração sem bom-humor na música brasileira e com um talento em decadência nas rádios. A morte precoce da banda deixou um rombo irreparável no coração do Brasil e estará sempre presente na nossa memória como a banda que levou “e os camelos que tem as bolas em cima das costas” a mais de 3 milhões de casas em apenas 7 meses.

Valeu, gente! Beijão e até mais!

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