Qual o nome do jogo?

“Casar? Só por amor” é uma frase que ouvimos com frequência – isso se ouvirmos falar de casamento. Todo mundo sabe, porém, que por séculos o casamento não passava de um contrato, um jogo, no qual duas famílias tentavam desesperadamente atingir o ápice da vida social. Em The Name of the Game, Will Eisner disseca a podridão dos casamentos da primeira metade do século XX, explorando as suas regras, suas faltas e suas injustiças.

A capa da HQ

The Name of the Game – “O nome do Jogo”, em tradução literal – é uma graphic novel curtinha. Começa lá no final do século XIX, com a história do casamento que formou a poderosa família Arnheim, dona de uma próspera fábrica de espartilhos. O filho mais velho, Conrad, era um verdadeiro rei do camarote: só queria saber de gastar, pegar garotas, agregar valor e nada de trabalho. Querendo zelar a imagem da família, seu pai arranja para ele um “bom casamento”, também conhecido como “casamento de fachada”.

A partir daí, Eisner vai narrando diversos relacionamentos independentes, mas entrelaçados: a frieza de Conrad com a primeira esposa e a violência com a segunda; as decepções amorosas de suas filhas e a escalada social dos maridos delas; a simplicidade de quem casou por afeto. Eisner aborda também temas ousados, como o abuso sexual no casamento, o uso da mulher como um objeto e a questão da imagem acima dos valores morais. Já que a HQ foi publicada em 2002, na fase mais madura de Eisner – três anos antes de sua morte –, os desenhos são magníficos e a linguagem gráfica é tão clara quanto impecável. Cada personagem parece viva: os movimentos são naturais e as emoções, visíveis. Nova York, cenário desta e de quase todas as HQs eisnerianas, empresta um tom de realidade à trama. A cidade é representada ao fundo, como se fosse uma personagem secundária, mas a memória quase fotográfica de Eisner não falha, colocando um metrô aqui, um engarrafamento ali e um arranha-céu acolá – elementos que dão base para a história propriamente dita e deixam-na muito mais interessante. Afinal, é assim que as coisas eram no mundo real.

The Name of the Game – ironicamente dedicada por Eisner à esposa, Ann – é a busca frenética pelo status; é amor, violência, destruição, família, sexo, dinheiro e, acima de tudo, um manual perfeito para o jogo do casamento. Indispensável!

 

 

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