Pitacos Musicais: Resenha de “Avril Lavigne”, de Avril Lavigne

Vocês já devem ter reparado que esse espaço do blog é meu. Então eu escrevo do que eu quero e do que eu gosto, certo? Pois bem, eu pedi para entrar no blog e a Mussolini Cami nunca pediu nada. Porém, duas semanas atrás, ela encomendou a resenha do novo disco da Avril. Chefe é chefe, então, vamos cair de boca!

Para quem não se lembra, Avril Lavigne é aquela mulher que não envelhece, responsável por, pelo menos, 5 hits seguidos na década passada, como “Sk8r Boy” e um cover de “Knocking on Heaven’s Door”, sempre alternando entre o Pop-Punk e baladinhas mais melódicas, nunca obras primas, mas sempre boas de ouvir. Porém, ao lançar, este ano, seu disco auto-intitulado, Avril perdeu a mão nos estilos que quer passar ao público.

Como um bom amigo, fui atrás da edição Deluxe para resenhar, com 3 músicas a mais. O confuso trabalho abre com “Rock n Roll”, onde a canadense grita no seu ouvido que ela é roqueira, faz rock e só gosta de rock, em uma agressiva mistura de Pop-Punk com bateria eletrônica.

Capa do auto-intitulado disco de 2013

Capa do auto-intitulado disco de 2013

A segunda faixa (e primeiro single), “Here Is To Never Groing Up” já o primeiro real escorregão do disco. Como eu falei em um dos meus primeiros post para o Sétima, o AutoTune se tornou a droga do momento da música (bom, pelo menos largaram a heroína…) e Avril parece uma das pessoas que precisa de reabilitação urgente. Após se dizer roqueira até o ultimo fio do cabelo, se achando a aprendiz de Joan Jett, Lavigne nos “encanta” com uma canção que poderia estar num disco da Ke$ha, com uma masteriazação descarada na própria voz. A música grudenta e, muitas vezes, irritante quebra tudo o que foi pregado por sua predecessora e ainda te deixa confuso se o AutoTune descarado foi proposital ou não.

“17”, por sua vez, não assustaria se fosse assinada por Katy Perry. Incrivelmente parecida com “Teenage Dream”, a terceira canção do disco também não esconde problemas com o AutoTune e descara a nova paixão da “princesa do rock” pela música eletrônica.

A música que a Cami tanto queria que eu ouvisse, “Bitchin’ Summer”, é a primeira mais melodiosa do disco, mas poderia ser melhor se Avril não ficasse gritando entre versos e refrões, já que essa é a primeira música com bateria de verdade. A voz, mais uma vez alterada, da canadense não dá espaço para aproveitar os instrumentos da faixa (e, até aqui, do disco).

Em “Let Me Go”, o maridão Chad Kreoger, vocalista do Nickelback, entra em ação. A música volta ao melodioso de outros tempos e tem um dueto muito bonitinho. Apesar de ser uma música decente, a melhor do disco, não é boa o bastante para salvar suas 15 acompanhantes, como “Give You What You Like”, tem uma confusa letra e instrumentos apenas misturados e jogados ao fundo de seguidos gemidos de Avril.

Entra em cena a canção mais esperada: “Bad Girl”, começa com uma voz amedrontadora de Marilyn Manson. O ritmo mais eletrônico da canção funciona com a letra e a “nova” voz do disco, mas a parceria de Manson passa despercebida com apenas rugidos ao fundo, sem o papel que Kroeger teve duas faixas antes, decepcionando muito a música mais esperada. A merda voa pro ventilador com o dubstep “Hello Kitty”, quando Avril Lavigne se arrisca no rap (e no japonês) e  deixa a poluição baladesca do computador que tornou Skrillex famoso tomar conta de três dos piores minutos da música desse 2013.

“You Ain’t Seen Nothing Yet” é uma música do High School Musical, sem mais! A guitarra elétrica está presente BEM ao fundo, para tentar te enganar, mas a bateria imutável e os efeitos do DJ escancaram o pop vendível do disco. “Sippin’ On Sunshine” não é reggea, não é pop, não é rock, não é rap, é só confusa. Esta canção resume o trabalho do disco: “não sei o que quero fazer, então farei tudo”.

Em mais uma música que se aproxima de suas antigas baladinhas, Avril apresenta “Hello Heartacke”, mas, novamente, a péssima execução da maquiagem e o exagero eletrônico estragam uma faixa que tinha todo o potencial para ser a melhor do disco. Já a bela “Falling Fast” se torna entediante depois do primeiro minuto, sem uma mudança mínima de ritmo para prender a atenção, tornando a música chata e repetitiva, apesar da agradável melodia do piano.

“Hush Hush” encerra o disco normal sem mais nem menos. Seguindo o exemplo das duas ultimas faixas, a canção derradeira do álbum não dá nenhum sinal de mudança de ritmo ou de vontade, resumindo o rock da primeira faixa exclusivamente à primeira faixa.

As três extras da edição deluxe também não melhoram: uma versão “acústica” de “Rock n Roll” (apenas tiraram a bateria e aumentaram o volume da guitarra), e dois covers mal executados. O primeiro, o hino “Bad Raputation”, de Joan Jett, que perde a agressividade original com uma voz esganiçada e uma tentativa, em vão, de Avril de se mostrar “roqueira” após um disco confuso. E com a permissão do maridão, “How You Remind Me” do Nickelback perde seu ritmo, sua leve agressividade e tudo o que tornou essa música um hit no começo do século. As três faixas a mais apenas assinam o atestado de falha de um disco muito esperado pelos fãs.

Confusa, com muitas escolhas na cabeça e sem o menor senso do que ela representava antes, Avril Lavigne não consegue repetir a qualidade ou o entusiasmo de seus outros trabalhos. Querendo agradar a todos, acabou não conseguindo agradar ninguém, não se mantendo fiel às bases que a levaram ao sucesso, mas também sem despertar o entusiasmo para novos adeptos de seu trabalho.

Valeu, gente! Beijão e até mais!!

Artista: Avril Lavigne

Disco: Avril Lavgne

Melhor música: “Let Me Go”

Nota: 5,0/10,0

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