O Estereótipo não é Azul

Fala, habitantes!
O filme que eu vou resenhar hoje estreia amanhã, dia 6 de dezembro, porém, graças a uma pré-estreia bacaníssima promovida pela Reserva Cultural, pude ver que, de fato,  Azul é a Cor Mais Quente.

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Quem disser que o vencedor da Palma de Ouro em Cannes deste ano é um filme que se restringe a um romance lésbico polêmico que exibe uma cena de sexo explícito por seis minutos, não exemplificou nem 1/4 do filme.
Apesar de Azul é a Cor Mais Quente ter como pano de fundo a descoberta e o despertar sexual, a obra trata muito mais de um amor extremamente verossímil do que de uma mera paixão carnal.

O longa, baseado na graphic novel Le Bleu est une Couleur Chaude, conta a história de Adèle (vivida muito intensa e impecavelmente por Adèle Exarchopoulos) uma menina de 15 anos que, ao cruzar uma avenida em Paris, nota uma moça de curtos cabelos azuis chamada Emma (Léa Seydoux). Pouco tempo passa, e as duas descobrem um grande amor uma pela outra, porém, algumas dificuldades internas e externas ao relacionamento complicam sua relação.
Considerado o filme com uma das melhores abordagens cinematográficas da adolescência, Azul é a Cor Mais Quente possui algumas peculiaridades.
Por exemplo, diversos frames, na primeira parte do longa, mostram como Adèle dorme, com direito a closes em sua boca aberta, como se veste, como usa seu cabelo desarrumado, como vai à escola e fala bobagens com seus amigos. Ou seja, tudo isso é feito para mostrar como Adèle é uma adolescente normal, sem floreios, projeções ou hollywoodizações. Também é possível notar que a maioria das cenas possui, pelo menos, um elemento da cor azul: seja o colchão de Adèle, flores ou até canos, a cor que remete ao título do filme sempre está presente. A trilha sonora também foi pensada de forma interessante: são poucos os áudios externos à cena que está sendo gravada, o diretor optou por deixar o áudio quase in natura.

Extremamente sensível e naturalista, o filme retrata desde romances heterossexuais a romances homossexuais, porém, vai muito além disso, retrata a condição humana do que é estar de frente a um amor, ainda adolescente, com seus prazeres e complicações. A cena de sexo, apesar de longa, não é forçada, se encaixando perfeitamente no contexto do filme e, como o próprio diretor disse na pré-estreia, ” isso foi necessário para que se mostrasse o amor entre duas, porém, se incomodar muito, apenas fechem os olhos”.
O diretor Abdellatif Kechiche arriscou, e deu margem a uma ampla discussão sobre a sexualidade no cinema e na própria sociedade.
Buscando a fuga dos estereótipos “Malhação”, o filme encanta, as atuações emocionam e três horas parecem acabar mais rápido que pipoca nos trailers, se a Reserva tivesse pipoca.

Um pequeno adendo:

Sem títuloh                         Eis eu no meu momento tiete com o diretor tunisiano Kechiche

É isso, galera!
Até semana que vem :3

Azul é a Cor Mais Quente (La vie d’Adèle)

Dirigido por: Abdellatif Kechiche
Gênero: Drama/Romance
Nacionalidade: França
Nota: 9

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3 comentários sobre “O Estereótipo não é Azul

  1. Gabriela disse:

    Amei o filme Isa, que aliás, assisti por indicação tua. Aqui a resenha foi direta e bastante completa, a melhor que li!

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