Goodbye, Blue Sky

Oi, Habitantes! Que saudade! Para não fugir do assunto “tá calor pra caramba”, vamos começar o ano com a HQ Azul É A Cor Mais Quente, de Julie Maroh. E vamos que vamos!


Clémentine é uma adolescente que faz de tudo para ser “normal”: ela (finge que) tem um bom relacionamento com um cara mais velho, sai com as amigas que (finge que) adora e compartilha (fingidamente) as opiniões conservadoras de sua família. Porém, todo o fingimento cai por terra quando Clém vê Emma pela primeira vez: uma jovem destacada por seus lindos cabelos azuis. É amor à primeira vista. O mundo de Clémentine vira de cabeça para baixo, e ela deve escolher entre a “normalidade” sufocante e o amor profundo que sente por Emma – enfrentando a expulsão da casa dos pais, a fúria da ex-namorada de Emma, as dúvidas em relação aos seus sentimentos e a homofobia dos ditos amigos.

Se você já assistiu o filme Azul É A Cor Mais Quente [Abdellatif Kechiche, 2013], já deu para perceber que ele é muito diferente da HQ, apesar de basear-se nela – a começar pelo nome da protagonista, Clémentine, que, na adaptação para o cinema, se chama Adèle. Pessoalmente, eu gostei muito mais do calor da graphic novel do que da frieza do filme (e vamos deixar de lado o fato de eu ser viciada em HQs e detestar filmes chateses franceses. Sem ofensas, Isa!). O jeito como Julie Maroh colocou a história de Clém e Emma no papel é tão tocante, tão intenso, tão quente, tão vivo, que faria chorar até o mais homofóbico dos machistas (ok, exagerei, mas é bem por aí).

A arte é incrível. Maroh combina preto e branco com ocasionais clarões de azul, que acontecem apenas nos quadrinhos mais importantes: quando Clém vê Emma pela primeira vez, os sonhos eróticos, o primeiro beijo etc. – um quadrinho “azul” incrível, por exemplo, é Clém desejando mentalmente “embrasse-moi” (me beija), enquanto olha para Emma:

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Outra coisa que é, na minha opinião, mais legal na HQ é o fato de a história ser narrada pela própria Clém, através de seus diários. A trama toda é um flashback, trazido à tona pelas confissões – daí o preto e branco. As palavras da garota traduzem exatamente o que ela está sentindo, todo o seu medo e a sua felicidade, o que humaniza a relação de Emma e Clém, costurando melhor a trama do que o filme, e tornando-a mais lírica e menos física. Aliás, a moça de cabelos azuis da HQ é bem mais incisiva do que a do filme, batalhando contra todos os medos e preconceitos de Clém até conquistá-la.

Com um final azul de lágrimas (e MUITO diferente do filme), a graphic novel Azul É A Cor Mais Quente, de Julie Maroh, é obrigatória, porque ensina que o amor é maior: maior do que preconceitos, maior do que padrões impostos, maior do que o medo de ser diferente. Como diz Emma, “só o amor pode salvar o mundo. Por que eu teria vergonha de amar?”

 

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