HQ – História dos quadrinhos #QuarteirãoDosQuadrinhos

Era uma vez um pequeno e estranho grupo de animais. Eles andavam sobre duas patas, eram pouco peludos e tinham algo especial: o dom de contar histórias. Quando não as encenavam, pintavam-nas nas paredes de suas casas, na esperança de passa-las adiante, geração após geração. Estes animaizinhos eram os primeiros homens, e suas pinturas nas cavernas, as primeiras histórias em quadrinhos.

Generalizações à parte, a nossa história tem início bem mais tarde, lá no século XVIII, quando os jornais europeus começaram a publicar ilustrações críticas (e lindas!) como esta, de William Hogarth:

Depois, apareceram as imagens cômicas e irônicas com legendas explicativas – as primeiras charges, que passaram a ser chamadas de “comics“. Os comics foram conquistando os jornais e, aos poucos, surgiram pequenas historinhas, as “tirinhas” (strips), com diferentes temas – família, novelas, costumes, política etc. Uma das primeiras tiras de sucesso foi Yellow Kid, de Richard Outcault, com o humor da classe trabalhadora do finalzinho do século XIX.

“Yellow Kid”

Nos anos 1920, as tirinhas já estavam bem estabelecidas. Foi no meio deste apogeu que as adventure strips apareceram. Elas contavam histórias emocionantes, que se transformariam nos comic books, os gibis, nos anos 1930. No começo, esses livrinhos não passavam de republicações das melhores tirinhas de aventura. Depois, alguns heróis fortes e originais dos gibis começaram a mostrar as caras…

Foi neste contexto que o último filho de Krypton chegou à Terra. Em 1938, na boca da Segunda guerra Mundial, tudo o que os Estados Unidos precisavam era um herói invencível que lutasse pela nação usando as cores da bandeira. O homem da cueca por cima da roupa, criado pelos dois garotos Jerry Siegel e Joe Shuster, vendeu como água. A partir daí, a indústria dos quadrinhos tornou-se multimilionária. As grandes editoras, DC e Marvel, começaram a brigar por artistas que, por sua vez, brigavam pelos seus direitos autorais. Neste contexto, Will Eisner, o grande mestre dos quadrinhos, fazia sucesso com Spirit, um herói sem poderes especiais além de sua esperteza, que abriria alas para o que estava por vir…

O primeiro Superman! (1938)

Depois da guerra, com a chegada da TV, os comic books perderam espaço. Novas formas de fazer quadrinhos e novos mestres começaram a aparecer, e as tirinhas voltaram à moda. O que unia estes quadrinhos já não era os POFs e PAfs violentos, mas o questionamentoPeanuts, de Charles Schulz, Mafalda, de Quino e Pogo, de Walter Kelly, são alguns dos exemplos: personagens que recusavam-se a aceitar a inércia da classe média no pós-guerra.

“Mafalda”

Nos anos 1960 e 1970, a cultura hippie começou a influenciar as HQs. Em Ashbury e Haight, na maravilhosa São Francisco, nasceram os “comix“, quadrinhos underground repletos de sexo, drogas, boa música e protestos contra a guerra do Vietnã. Por vezes, eles suscitavam debates políticos e religiosos sobre a influência negativa dos quadrinhos. No outro extremo do debate, grandes quadrinistas, como Will Eisner, tentavam mostrar que as HQs também podiam ser leituras profundas, literárias e voltadas para adultos.

A partir dos anos 1980, os quadrinhos começaram a deixar a zona do preconceito. Os super-heróis, antes invencíveis (e até meio infantilizados), passaram a ser questionados, em comics como Watchmen e V de Vingança, de Alan Moore. Will Eisner, que já vinha tentando novos rumos para a HQ, publicou Um Contrato com Deus, em 1985, HQ que popularizou o termo “graphic novel“. Em 1991, Art Spiegelman foi o primeiro quadrinista a conquistar um prêmio Pulitzer, com Maus (o que encheu Will Eisner do mais puro recalque). Hoje, as graphic novels dominam o mercado editorial: Retalhos e Habibi, de Craig Thompson; Persépolis, de Marjane Satrapi; Ao Coração da Tempestade, de Will Eisner; Fun Home, de Alison Bechdel.

A capa de “Um Contrato Com Deus”, a primeira graphic novel

O preconceito contra as HQs, porém, continua. Muitas pessoas ainda insistem que “quem gosta de quadrinhos é crianção”, ignorando décadas de evolução, experimentação, lutas e desafios; esquecendo que quadrinhos são a mais perfeita mistura de imagem e texto – e o mais próximo que chegaremos das nossas origens de contadores de histórias.

PS.: não contei nada dos quadrinhos no Brasil porque, se contasse, ia ficar gigantesco! Prometo fazer um post só sobre isso!

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