#PitacosMusicais: Resenha de “High Hopes”, de Bruce Springsteen

Abro este post com uma confissão: nunca fui um grande fã de Bruce Springsteen. Acho ele de um talento incontestável e um showman inigualável, mas ele nunca se tornou um daqueles artistas cujas músicas rodavam a minha cabeça e me davam uma vontade de ouvir precisamente as músicas dele. Contrariando o título, eu não tinha lá grandes esperanças ao ouvir esse disco. Senhoras e senhores, este é High Hopes, de Bruce Springsteen.

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Capa de “High Hopes”, 11º disco de Springsteen a chegar ao topo das paradas.

A faixa-título/de abertura, “High Hopes”, tem uma competição grande entre os elementos da canção. Entre o piano animado, a guitarra cativante e a forte voz de Springsteen, os 5 minutos da primeira música não deixam a bola cair em momento algum e é uma forte abertura para o disco.

“Harry’s Place” viaja para os anos 1980, com mais efeitos e distorções em seus instrumentos, principalmente no constante baixo que praticamente faz com que sua cabeça se mexa de forma involuntária. As guitarras swingadas e a discreta bateria se tornam apenas um plano de fundo para a atmosfera mais escura dessa segunda faixa.

Esse peso se segue em “American Skin (41 Shots)”. Um belíssimo piano e a voz melancólica que Springsteen usa para a canção criam um sentimento quase sagrado que culmina em um belíssimo solo e numa explosão de energia que se segue pelo resto dos 7 minutos e meio de uma canção delicada e ao mesmo tempo poderosa.

Mudando da água para o vinho, “Just Like Fire Would” acelera o disco do ritmo e dá um novo fôlego para o improvável caso de distração depois da terceira faixa. Continuando a viagem de High Hopes pelas diversas fases do rock, “Down In The Hole” muda para um ritmo mais baixo enquanto Springsteen afina um pouco a sua voz para os quase 5 minutos de canção. Talvez o único pecado até aqui do disco, presente em todas as faixas, seja o pouco destaque aos instrumentos muito bem tocados pela banda de Springsteen.

“Heaven’s Wall” mais uma vez sobe o ritmo, cria belos momentos com a guitarra, mas o coral parece fora do tom do resto disco, o que causa uma certa estranheza à faixa, consertada por “Frankie Fell In Love”, uma mistura maravilhosa de batida de rock, com vocais e guitarra dignas das melhores canções do country. É assim que a sétima faixa conquista o status de melhor do álbum.

Mas a competição com “This Is Your Sword” foi grande. Coincidentemente, a oitava faixa também mostra a incrível capacidade que Springsteen tem de levar o country para os mais árduos fãs do rock e ser completamente aceito.

“Hunter Of Invisible Game”, abaixa novamente o ritmo do disco para uma balada melódica muito bem executada, mas fora de lugar após “Frankie Fell In love” e “This Is Your Sword”. Ainda mais quando é seguida por “The Ghost Of Tom Joad”, um pesado ode de sete minutos e meio que lembram Johnny Cash em diversos momentos. Os belíssimos solos de guitarra, que correram o risco de ficarem deslocados, acabam se tornando o ápice de uma belíssima canção longa e extremamente potente.

“The Wall” é tão calma e melancólica que me fez achar que era o encerramento do disco. Se fosse, seria digno, mas como não é, o disco peca mais uma vez no ponto de localização de suas músicas. O ritmo baixo e a sensação de final distraem o ouvinte da derradeira “Dream Baby Dream”, que, como uma sinfonia, vai crescendo seu volume e tomando forma ao longo de seus 5 minutos, mas ficaria melhor localizada antes de “The Wall”.

As canções de High Hopes têm um padrão: são lindas, bem executadas e são, sem dúvida, um marco para o rock do século XXI. Um cuspe na cara de quem diz que o rock morreu, o disco tem apenas um problema, que é a confusa set list, que poderia ser muito melhor organizada, o que deixaria o disco perfeito, ou bem perto disso.

Valeu, gente! Beijão e até mais!

Artista: Bruce Springsteen

Disco: High Hopes

Melhor música: “Frankie Fell In Love”

Nota:  9,8/10,0

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