#CantoDoCinema: Resenha “Os Trombadinhas” (1979)

E aí, habitantes?
Eis que minha semana preferida chegou no Sétima: a semana da zuera, e, para comemorar em grande estilo, resolvi resenhar um filme igualmente glorioso. Pensei em diversas opções, na verdade: pornochanchadas, comédias do tipo E Aí Comeu?, entre outros. Porém, me lembrei, esses dias, de uma célebre frase do cinema nacional: “Não, eu sou o Jô Soares, sua piranha”. Se você ainda não sabe quem proferiu essa maravilha, vai descobrir nesse post e não vai saber se ri ou se chora.


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Sim, habitantes. Hoje você não seguirá o conselho do Chaves, e me verá falar do famoso “filme do Pelé”.
E qual seria a história dessa obra-prima nacional? Bom, para falar a verdade, ela possui um viés minimamente crítico-social e eu vou explicar o por quê.
Último longa dirigido por Anselmo Duarte, o filme mostra como a situação dos menores abandonados em São Paulo, os chamados “trombadinhas”, passa a chamar a atenção de um bem-sucedido empresário (Paulo Goulart). Ele decide, então, usar seu poder para tentar mudara situação dessas crianças, mas a própria polícia o desencoraja. Porém, o empresário não desiste e entra em contato com Pelé, instrutor da equipe juvenil do Santos F.C. que “é sempre disposto a ajudar os necessitados”.
Acredite, minha sinopse resumiu os primeiros 10 minutos de filme, o resto é apenas essa luta do jogador e de um colega do empresário, Bira, para tirar os tais meninos da rua.

A começar pelo cartaz, o filme arranca boas risadas. Temos desde cenas em slow motion dos trombadinhas até intervenções absurdas de Pelé em alguns furtos. As cenas dos roubos se intercalam com os treinos de Pelé, e as reuniões estrategistas dos trombadinhas traçam um paralelo com as reuniões estrategistas de Pelé com os jogadores.
A grande promoção de Pelé no filme é algo meramente plausível, visto que fazia 9 anos que a seleção brasileira havia conquistado o mundial no México e a fama do jogador estava no auge.
Porém, com o passar do tempo, a dupla de justiceiros descobre que o problema é mais fundo do que imaginavam, há diversos adultos por trás dos roubos dessas crianças, complicando a missão dos dois.

Algumas pessoas pensam que os atores do filme são dublados, mas esquecem que os dubladores de hoje eram atores nos anos 80. Chega a ser uma nostalgia engraçada ouvir tantas vozes conhecidas.
Também há alguns diálogos, no mínimo, memoráveis. Como este entre a filha do empresário e um possível pretendente, ele pergunta: “O que você tá fazendo?”
“Sociologia!”, ela responde
“Que bom, pensei que fosse Comunicações…”
E, por fim, a filha solta:
“Sabe que eu queria fazer Jornalismo? Mas eu detesto faculdade de comunicação, prefiro mais ação.”

Deixando de lado o fato de que o Jornalismo ser motivo de zuera desde que o mundo é mundo, sempre é traçado um paralelo com o futebol de Pelé, seja qual for a situação. Esse diálogo é um bom exemplo disso:

“Cê pensa que trabalhar na polícia é como jogo de futebol? Exige muita responsabilidade, Pelé”
“Bira, o que é que você sabe sobre a responsabilidade de um jogador de futebol? Sabe o que é ficar no meio do campo com 100 mil pessoas esperando que você cobre um pênalti? A alegria dessa gente depende exclusivamente de você.”

E, ok, sei que você tá esperando o diálogo mais memorável do filme,e quiçá, mais no sense do cinema nacional.

A situação se desenrola quando a dupla de justiceiros finalmente consegue capturar uma das “chefes” que comanda a quadrilha dos trombadinhas. Temos até uma mini cena de kung-fu de Pelé.
E sim, apesar de ser a semana da “zuera”, o filme critica toda a criminalidade da sociedade e, melhor ainda, nos tempos da Ditadura Militar.

Minha nota é: SHOW KKKK

É isso, habitantes!
Até semana que vem!

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