#CantoDoCinema: Resenha “Le passé” (2013)

Olá, habitantes!
Sentiram saudades dos posts cinematográficos? Eu também, e posso dizer que voltei com a corda toda! Hoje nosso cantinho no Sétima acordou cult e louco por  um bom filme iraniano. A resenha de hoje é sobre o longa O Passado.

Indicado ao Globo de Ouro por Melhor Filme Estrangeiro, O Passado é um drama delicado que conta com ótimas atuações e que é marcado por diversas reviravoltas e pela persistência da dúvida.
Ao ler a sinopse, confesso que fiquei um pouco confusa. A trama, em si, é cheia de personagens, cada um com seus conflitos internos, cheia de problemas entre eles (como adultério, xenofobia, suicídio) e tudo acaba resultando em um grande emaranhado, porém, à medida que o filme, dirigido pelo iraniano Asghar Farhadi, segue, percebe-se que é essa miscelânea que torna a obra tão atraente.

O longa conta a história de Ahmad (Ali Mosaffa) um iraniano que após acabar com seu casamento e abandonar sua família, retorna, depois de 4 anos, a sua antiga esposa, na França, para assinar os papéis oficiais de divórcio.
Porém, quando chega ao país, descobre que, até a audiência, deverá ficar na casa de sua ex-esposa Marie (Berénice Bejo), que está prestes a se casar com outro homem, Samir (Tahar Rahim).
A atmosfera do filme, apesar de ser um drama, não é pesada. O diretor conseguiu articular muito bem um conteúdo que outros cineastas tratariam apenas como um melodrama cheio de diálogos agressivos, closes em personagens se debulhando em lágrimas e uma trilha sonora exagerada.
É possível dizer que O Passado começa de um certo modo e termina com uma abordagem do tema muito diferente.

Além da situação nada agradável em que Marie se encontra, a francesa ainda é mãe de uma adolescente de 16 anos que detesta Samir e que sabe de muitas coisas sobre o relacionamento de ambos.
Um desses segredos muda o foco da trama completamente da metade para o fim no filme. A partir desse momento, o clima se torna um pouco mais carregado e é possível perceber algumas pitadas de suspense embaladas por uma forte trilha sonora.
Logo no início do filme, é revelado que a antiga esposa de Samir está em coma por uma tentativa de suicídio há 8 meses e, na última meia-hora do longa, ocorrem diversos plot-twists, mas de modo bem singelo, que vão surpreendendo o espectador e o convidando a adentrar cada vez mais na narrativa.

Famoso por sua estética fria e metódica, o premiado diretor Asghar Farhadi não exemplificou, através de uma relação, algumas das mazelas do país como quando filmou “A Separação”, no Irã. Porém, é possível ver que o diretor não perde a mão como contador de histórias ao tratar de um tema de forma muito realista, sem muitos floreios quanto a fotografia ou movimentos de câmera. Para ele, o drama, e só o drama, importa.
A cena final é um ótimo exemplo de que, algumas vezes, não conseguimos deixar o passado para trás e nos sentenciamos a preencher um vazio permanente, mesmo às custas de outras pessoas.

Um ótimo drama para quem quer fugir da estética convencional dos filmes americanos.
Nota 9.

É isso, galera!
Até semana que vem!

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