#CantoDoCinema: Longas curtos

Olá, habitantes! Como vão?

Tenho certeza que alguns de vocês estão desfrutando do Netflix madrugada adentro, curtindo uma praia ou, simplesmente, vivendo do ócio, certo?
Bom, alguns de nós têm a sorte e/ou o azar de trabalhar e de gostar muito de cinema, também. E quando isso acontece, o jeito é apelar para alguma série com episódios curtos ou para o cansaço no trabalho graças ao filme um tanto longo que resolvemos assistir no dia anterior.
Porém, a listinha a seguir pode não ser creme da Avon, mas com certeza vai amenizar suas olheiras. Essa é para quem gosta de assistir os chamados “longas curtos”, que não passam de uma hora e meia, mas que trazem histórias diferentes e um grande dinamismo. Quem disse que cinema e horários não combinam?

 

The Kid (O Garoto – 1921) – Dirigido por Charles Chaplin (68 min)


Um dos mais belos clássicos de Chaplin tem apenas um pouquinho mais de uma hora e não deixa de ser encantador. O título de abertura já descreve exatamente como o longa flui: “Uma comédia com um sorriso, e talvez uma lágrima”. De fato, é impossível não ser tocado(a) pela história de um bebê órfão que é adotado pelo Vagabundo que tenta educar a criança do melhor jeito possível. Claro que nem tudo são flores e, como todo clássico  chapliniano, é um longa-curto cheio de divertidas reviravoltas.

 

Following (1998) – Dirigido por Christopher Nolan (69 min)


Já este longa é em P&B como o de Chaplin, mas está longe de ter a simplicidade do diretor bigodudo. Nolan é conterrâneo de Charles, porém, em seu primeiro longa, ele já demonstra a linha do drama psicológico que seguiria durante toda sua carreira. Following conta a história de um jovem que gosta de escrever sobre os transeuntes que observa. Um dia, ele acaba encontrando Cobb (Alex Haw) que o convence a invadir o apartamente de uma mulher. Cada vez mais fascinado pelo seu “personagem”, o jovem escritor acaba se envolvendo demais na sua própria história. Em princípio, o longa-curto parece fácil, porém, seu enredo apresenta três linhas temporais diferentes em uma ordem aleatória, fazendo com que o espectador tenha que juntar os pedaços e entender o filme. Típico do Nolan, certo?

Before Sunset (Antes do Pôr-do-Sol – 2004) – Dirigido por Richard Linklater (80 min)


Muito se fala sobre a trilogia Antes do Amanhecer e sobre como esses três filmes filosofam sobre os diferentes tipos de amor através de diálogos inteligentíssimos. Porém, poucos sabem que tais longas nem chegam sequer a durar duas horas e que o segundo filme é o mais curto da trilogia.
Nove anos depois de se encontrarem pela primeira vez, Jesse (Ethan Hawke) e Celine (Julie Delpy) conversam sobre as diversas coisas que aconteceram nesse tempo que estiverem desencontrados e, novamente, temos diálogos incríveis e as ótimas atuações dos dois. Um dos pontos altos dessa trilogia foi o fato de cada filme ter sido lançado 9 anos “distante” do anterior, o que faz com que o espectador mergulhe cada vez mais na história. O trabalho mais recente desse diretor é o longa indicado ao Oscar, Boyhood.

Rope (Festim Diabólico – 1948) – Dirigido por Alfred Hitchcock (80 min)


Como boa fã que sou, claro que não poderia faltar um longa do Tio Alfred na lista. Através de um plano sequência falso (e digo apenas “falso” graças às limitações tecnológicas da época), Hitchcock nos introduz um longa estruturado como se fosse uma peça teatral, cheio de suspense, uma atmosfera peculiar e, claro, muito James Stewart. Diferentemente dos outros longas do diretor que giram em torno de descobrir a identidade de um assassino, ou de resolver um crime, Rope já entrega tudo isso na cena de abertura, onde uma dupla de psicopatas intelectuais mata um homem, escondem-o em um baú e servem um jantar para muitas pessoas em cima do defunto. James Stewart é um professor da dupla e, ao longo do filme, suspeita que algo está muito errado na quele apartamento. Longa curtinho e com a homossexualidade sendo abordada nas entrelinhas, ponto pro Tio Alfred.

Elephant (2003) – Dirigido por Gus Van Sant (81 min)


Vencedor da Palma de Ouro em Cannes, Elephant é um longa-curto que virou exemplo cinematográfico para quem aprecia boas montagens e edições. Inspirado no trágico massacre de Columbine, que matou 13 pessoas e feriu mais de 20, o longa conta a história de diversas alunas e alunos no dia do ocorrido, também é mostrado o planejamento da dupla de adolescentes que organizou o assassinato em massa. O cotidiano dos estudantes acaba se entrelaçando e cada personagem do filme se torna especial quando sua individualidade  é explorada de diferentes jeitos. Esse é um filme com uma atmosfera pesada, mas é muito bem dirigido.

Tomboy (2011) – Dirigido por Céline Sciamma (82 min)


Vai ter filme dirigido por mulé abordando a questão de gênero, sim! Tomboy é um longa-curto francês que cita a homossexualidade de um jeito muito delicado e em plena pré-adolescência. O filme conta a história de Laure (Zoé Héran), uma garota de 10 anos que se muda para um subúrbio da França com a família, não conhecendo ninguém na região. Laure acaba conhecendo Lisa (Jeanne Disson), que a confunde com um menino, devido ao cabelo e roupas “masculinas” que Laure usa. A menina não se importa com a confusão e acaba assumindo uma dupla identidade, para os amigos é Mickael e para seus pais é Laure. Uma ótima reflexão em um curto espaço de tempo.

Tonari No Totoro (Meu Amigo Totoro – 1988) – Dirigido por Hayao Miyazaki (86 min)


Essa animação está em várias listas pessoais minhas, mas ocupa oprimeiro lugar da lista que eu gosto de chamar de “Longas de aquecer o coração”. A  simplicidade do filme e o modo como o diretor mostra a infância de duas meninas, misturando dramas reais com criaturas mágicas, se torna a fórmula mais meiga que alguém poderia criar. O enredo do longa é simples: uma dupla de irmãs e seu pai se mudam para o interior do Japão para acompanhar o recuperação de uma doença que a mãe das meninas sofre. Em meio a visitas no hospital, as meninas acabam conhecendo criaturas, entre elas o simpático Totoro, que as acabam ajudando em várias situações. A trilha sonora só completa a fofura do longa-curto.

Paths of Glory (Glória Feita de Sangue – 1957) – Dirigido por Stanley Kubrick (88 min)


Já viu um filme de guerra durar menos de uma hora e meia? Pois é, eis que Kubrick, em seu início de carreira, resolveu ousar e, ao lado de Kirk Douglas, lançou um clássico do cinema.
O longa conta a história de Mireau (George Meeker), um general francês que ordena um ataque suicida durante a Primeira Guerra e como nem todos os seus soldados puderam se lançar ao ataque ele exige que sua artilharia ataque as próprias trincheiras. No longa, já podemos notar uma fotografia à la Kubrick, cheia de milimetricidade em poucos planos.

Gummo (Vidas Sem Destino – 1997) – Dirigido por Harmony Korine (89 min)


Este filme pode ser classificado como o “nonsense mais grotesco ever”. Gummo conta a história de uma cidade no interior de Ohio, devastada por um tornado 20 anos atrás, onde vivem pessoas que não possuem qualquer caráter: entre elas, uma dupla de adolescentes que passam o tempo matando animais, tomando drogas e molestando a esposa deficiente de um amigo. É um filme sujo, em todos os sentidos. Há lixo para todos os lados, as casas são imundas e os próprios moradores não tem higiene. Mas por que diabos assistir um filme desse? Justamente por ele mostrar o pior lado do ser humano e por passar a mensagem de que pequenas cidades não são sinônimos de paz e harmonia.

The Babadook (2014) – Dirigido por Jennifer Kent (93 min)


O último filme da lista é o mais recente, o mais longo (ultrapassando apenas 3 minutos da marca de uma hora e meia) e o mais assustador de todos. Esse terror indie australiano conta a história de uma mãe solteira cujo filho encontra um livro chamado The Babadook, uma espécie de bicho-papão. A mãe lê a história para seu filho, mas as coisas acabam pulando para fora do livro. Insônias, barulhos estranhos e visões começam a afetar o cotidiano da família, além do livro que parece se modificar a cada leitura que é feita. Um terror com uma pegada diferente e curtinho. Que tal?

É isso, habitantes!
Espero que tenham gostado, aproveitem seus finais de férias!
Até semana que vem.

 

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